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 Mais um tijolo no muro

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TheFlud
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MensagemAssunto: Mais um tijolo no muro   Qui Nov 17, 2011 4:19 pm

Mais um tijolo no muro
Por Colaborador Nerd

Por Kallyandra



Citação :
Os textos nada mais do que livre expressão, estou me afogando na lama assim como você que está lendo tanto quanto o resto da sociedade, estou presa à sistemas e a normalização que a sociedade me impõem, estes textos são apenas idéias e “o rosto embaixo dessa mascará não é o meu de fato, não sou nem meu rosto, nem os músculos embaixo dele ou os ossos embaixo deles”
V for Vendetta



Normal: nor.mal; adj m+f (lat normale) 1 Conforme à norma; regular. 2 Exemplar, modelar. [...] 5 Biol, Psicol, Social. Conforme a um tipo dado e, portanto, presente na generalidade dos casos. 6 Pedag ant Dizia-se da escola e do curso destinados a formar professores de ensino primário [LINK].

Somos todos iguais perante a lei, somos pequenas partes da sociedade, portanto, construímos de acordo com a nossa vontade, queremos direitos, possibilidades, oportunidades, educação, saúde de maneira igual para todos. A Constituição Da República Federativa Do Brasil De 1988 garante esse direito para todos os cidadãos brasileiros.

A igualdade que nos é garantida por lei, mas sobre a ótica histórica e política, eleições, escolhas, juridicamente, etc.; porém muita gente confunde igualdade em sermos iguais, normais, uniformizados. Quando crianças, sempre ouvimos a seguinte frase “somos todos iguais”, então olhávamos para o lado e víamos que o coleguinha não era igual, tinha um comportamento, cor, família, origem, história, absolutamente tudo diferente.

E crescemos acreditando nisso, que somos iguais, porém, eu sou igual a você leitor?



TÍTULO II: Dos Direitos e Garantias Fundamentais

CAPÍTULO I: DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:



Um dos princípios fundamentais da nossa Constituição é a igualdade entre os cidadãos e a liberdade de pensamento, tudo isso é lindo no papel. Mas que tipo de igualdade? Qual o significado da igualdade?

Igualdade pode ser no sentido de padronização social, ou seja, devemos nos comportar de maneira igual, obedecer às imposições feitas desde o nascimento. Meninos se vestem de azul, brincam de bola na lama, brigam, etc. e meninas de rosa, brincam de casinha, bonecas Barbies e devem ser seres delicados.

No Brasil é comum nas escolas, empresas, organizações em geral, adotarem uniformes com a intenção de identificação da instituição de estudo ou trabalho, de dizer que todos os funcionários são os mesmos e que não passamos de massa trabalhadora, que devemos ser imparciais durante o trabalho.

Mas a uniformização não é apenas durante o trabalho, vemos a massificação do ser humano ocorrer constantemente, somos treinados a pensar, agir, desejar a querer as mesmas coisas que todo mundo e vem ocorrendo por um longo período da nossa história. Não se faz guerras quando se tem os mesmos objetivos, não se odeia os que compartilham das mesmas opiniões que a gente, queremos o conforto da normalidade. Não gostamos de ser contraditos, não gostamos que digam que estamos errados e que não nos encaixamos na sociedade.

Vivemos em um mundo capitalista, onde absolutamente tudo é pensado para que lhe faça comprar e comprar cada vez mais, porque é o que eu não tenho que diz quem eu sou, é o que me desiguala do resto da sociedade, portanto para eu ser bonita tenho que ter o cabelo liso, vou ao salão gasto horas com alisamento para ficar exatamente como as outras, e, depois de um ano, descobrir que os cachos voltaram a moda. Os cantores são fabricados perante a televisão e divulgados pela internet, as empresas monopolizam com trio elétrico e abadas o carnaval, a livre expressão passa a serem frases levadas por passarinhos mecanizados.

Em 1940 Adorno cunha o termo “Indústria Cultural”, pois ele percebe a comercialização da cultura, que predominantemente é produzida nos EUA, que dirige as produções culturais onde essas produções são normalmente de baixa qualidade, para a massa social. Contudo, esta classe não percebe a dominação da Indústria Cultural, já que o objetivo das grandes corporações é o entretenimento vazio das massas e do lucro que o consumo desses produtos traz para as empresas que produzem as mercadorias e não a individualidade. “Sob a alegação que o grande público quer apenas entretenimento e diversão, sem levar em consideração qualquer responsabilidade de ordem educacional, formativa ou cultural que seus recurso tecnológicos comportam e até facilitariam.” (Duarte, 2003, p. 08)

Já que a finalidade da Indústria Cultural é o consumo, ela tende a procurar padronizar, uniformizar e tornar comercializável o gosto, a música, as roupas, enfim, tudo; isto é, através dos meios de comunicação em massa, é possível divulgar um modo de vida que deve servir de parâmetros para todas as pessoas. A Indústria Cultural mostra os valores que as pessoas devem possuir, como se comportar em sociedade, onde e como comer, vestir, calçar, inclusive pensar, pois todos agindo da mesma forma, todos irão consumir os mesmos produtos.

A função da Indústria Cultural assim como a do Estado é de nos tornar iguais, sem a opção de escolha, mesmo quando tentamos reagir, pois estamos tão presos na caverna que o único modo de nos libertar é usando as mesmas armas que a Indústria Cultural coloca ao nosso dispor. A Indústria Cultural modifica a realidade mostrada repetidamente até que o valor imposto seja corriqueiro. A repetição nas horas de trabalho também é transferido para as horas de lazer.

Citação :
‘As horas de trabalho de um dia já são para a maioria dos seres humanos, ocupadas no desempenho de tarefas puramente mecânicas, nas quais nenhum esforço mental, nenhuma individualidade, nenhuma iniciativa é requerida. E agora, em nossas ‘horas de lazer’, nos voltamos para distrações mecanicamente estereotipadas, e que demandam tão pouca inteligência e iniciativa quanto o nosso trabalho’[...]
A mesma lógica rege na sociedade industrial, o tempo de trabalho e as horas de lazer, [...], seriam irremediavelmente estereotipada, o que se aproxima da esfera da produção de mercadorias e massa (Huxley, A. apud Almeida, 2008, p.141)

A mecanicidade e uniformidade da rotina das industrias, empresas e escolas é transferida para nossas horas de lazer, todos somos levados a assistir os filmes e programas de televisão que querem que a massa assista, e não se iluda eu e você também somos massa, querem quebrar em pedacinhos nossa individualidade e nossa cultura e nos transformarem em uma massa homogenia ou pelo menos que queira ser homogenia.



Porém, quando olhamos a realidade, parece que alguns são mais iguais que os outros. Não é isso que vemos na televisão, vemos manifestações de alunos, professores, marcha da maconha, etc., é a força policial batendo nos cidadão que estão apenas atrás do que nos é garantido na constituição brasileira.

Sendo que sempre a análise dos fatos não correspondem a sua totalidade, segundo Foucault (1979), o papel do Estado é a repressão e que é o que tem controle sobre nossos corpos. Mas, ainda percebo de forma muito mais profunda a dominação do Estado e não apenas sobre nosso corpo, mas pior controlam nossa percepção do mundo, fazem acreditarmos que o pior inimigo são os ladrões, traficantes de drogas, enfim marginais em geral, mas se esquecem que na verdade o Estado é o pior inimigo de todos.

Como podem querer criar pessoas se quando crianças são ensinadas a não reagirem? A viverem apenas a aparência de aprenderem, a uniformidade das roupas escolares, as cadeiras enfileiradas para evitar a conversa, o conteúdo entediante de uma fórmula que é simplesmente jogada e nunca sabemos como qualquer fórmula que seja teve sua origem, não somos ensinados a questionar, somos ensinados a aceitar as imposições e apenas aceitar como verdade plena o que a televisão nos mostra. O totalitarismo que a Indústria Cultural inflige pode ser de maneira sutil, que discretamente rege as ações individuais, pois como:

Citação :
Fruto de uma razão instrumental a Indústria Cultural “impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e decidir conscientemente” [...]
A promessa da razão iluminista de instaurar por meio da razão o poder do homem sobre a ciência e a técnica, livrando-o do obscurantismo mágico ou do universo mítico, converte-se ela própria em mito quando oculta da racionalidade técnica conteúdos do progresso tecnológico como forma de dominação social. [...]
‘O que não se diz é que o terreno no qual a técnica conquista seu poder sobre a sociedade é o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a sociedade. A racionalidade técnica hoje é a racionalidade própria dominação. Ela é o caráter compulsivo da sociedade alienada de si mesma.’ (Horkheimer e Adorno apud Fabiano, 2008, p.141)

Será essa igualdade que querem nossos governantes, onde garante nosso direito de sermos iguais, de liberdade, mas não podemos questionar a ordem e padrão existente?

Se realmente fossemos iguais não haveria necessidade da luta dos grupos minoritários pelos seus direitos tais como o movimento negro, LGBT, greves generalizadas dos professores, a violência em cada canto do Brasil aumentando (ou será apenas porque a violência vende?).

Somos livres realmente?

A sociedade como um todo rotula e julga as pessoas pelos gostos, jeito de vestir, agir, com quem anda e utilizamos nossos padrões, preceitos, dogmas e o que temos como verdade é a base deste julgamento e esquecemos que nos também somos submetidos a normalização social.

Mulheres que dão prioridade a carreira e aos estudos são dadas como “mal-comidas”, homens têm que ter quantidade e não qualidade, seja em números de mulheres, quantos nos músculos que têm. Essas são as relações dos jovens, o conceito de liberdade e igualdade que nos são repassados é fútil, apenas mais uma prisão, porque assim não questionamos, vivemos em uma prisão e não percebemos.

Citação :
Depois de um século de colonização política e geográfica, as potências industriais teriam ‘começado a colonizar a grande reserva que é a alma humana’. Os novos domínios seriam a inteligência, à vontade, o sentimento e a imaginação de milhares de seres humanos que veem cinema, ouvem rádio, veem e ouvem televisão. A técnica feita indústria permitiu a consolidação de seus grandes complexos produtores e fornecedores de imagens, de palavras e de ritmo, que funcionam como um sistema entre mercantil e cultural. Desse hibridismo advém uma realidade social nova que caracteriza como nenhuma outra o mundo contemporâneo: a cultura de massa. (Morin apud Bosi, 2007, p.62)

O que é ser igual afinal de conta?

E quem não é normal é o que?

Retirado do site http://www.nerdssomosnozes.com/2011/07/mais-um-tijolo-no-muro.html
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